O que é um miniconto?
O miniconto apresenta, por exemplo, uma escassa descrição de tempos, espaços e personagens. Deve, contudo, manter a narratividade, isto é, contar uma história.
O miniconto busca a condensação máxima para chegar ao essencial. A chamada minificção também se caracteriza pela fragmentação, pela experimentação linguística, pelo hibridismo de gênero (crônica, poesia, aforismo?) e pela aproximação à poesia, como vemos no miniconto de Leonardo Sakamoto, aqui neste blog.
O mais interessante do miniconto é que ele não mostra tudo, apenas sugere, como o texto de Marcelino Freire postado aqui também. No bom miniconto, há um subtexto. O leitor deve preencher as lacunas.
No Brasil, o curitibano Dalton Trevisan é tido como o pioneiro do gênero. Entretanto, a pesquisadora Francilene Cechinel mostra que há uma história omitida da minificção brasileira.
Para ela, Um Apólogo, de Machado de Assis, publicado pela primeira vez em 1885, já trazia características de miniconto.
Nos anos 1960, Clarice Lispector, Guimarães Rosa e Rubem Fonseca fizeram incursões bastante promissoras pelas veredas da minificção.
Mas, segundo Francilene, é na década de 1970 que os microcontos (outro gênero dentro da minificção) explodem em todo seu esplendor.
Em Minas Gerais, um grupo de jovens escritores liderados por Elias José cultivou o gênero com bastante afinco. O grupo chegou a produzir um manifesto em defesa da minificção como resposta "à necessidade de comunicação rápida em um mundo que se perde". E isto em uma época em que sequer existia a internet!
Outros autores que produziram mini e microcontos nos anos 1970 foram o catarinense Péricles Prade, o amazonense Adrino Aragão e a ítalo-carioca Marina Colasanti. Ocorre que os minitextos desse grupo trabalhavam com o fantástico e o alegórico, razão pela qual parte da crítica teria ignorado tal produção. Segundo Francilene, a literatura brasileira sempre valorizou uma tradição mais realista em detrimento de outras vertentes.
Nos anos 1980, Marina Colasanti segue publicando minicontos. Junto a ela, Zulmira Ribeiro Tavares, Victor Giudice e Ignácio de Loyola Brandão experimentam o novo gênero.
É, então, que chegamos a Dalton Trevisan. Em 1994, o autor curitibano publica, com enorme repercussão, Ah, é?, composto por 187 microcontos. E passa a ser rotulado como pioneiro do gênero por uma crítica que desprezava a experiência anterior.
Com o advento do terceiro milênio, a minificção ganha impulso nos meios virtuais (blogs, portais e redes sociais). Um dos autores que se destaca na nova geração é Fernando Bonassi.
Alex Criado
Grato ao amigo Raul Hernando Osorio Vargas, por me abrir as portas para esta visão mais ampla da minificção no Brasil.

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