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Mostrando postagens com o rótulo Alex Criado
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O que é um miniconto? Bom, pra começar, é óbvio que se trata de um conto pequeno. Portanto, a concisão é fundamental. O miniconto apresenta, por exemplo, uma escassa descrição de tempos, espaços e personagens. Deve, contudo, manter a narratividade, isto é, contar uma história. O miniconto busca a condensação máxima para chegar ao essencial. A chamada minificção também se caracteriza pela fragmentação, pela experimentação linguística, pelo hibridismo de gê nero (crônica, poesia, aforismo?) e pela aproximação à poesia, como vemos no miniconto de Leonardo Sakamoto , aqui neste blog. O mais interessante do miniconto é que ele não mostra tudo, apenas sugere, como o texto de Marcelino Freire postado aqui também. No bom miniconto, há um subtexto. O leitor deve preencher as lacunas. No Brasil, o curitibano Dalton Trevisan é tido como o pioneiro do gênero. Entretanto, a pesquisadora Francilene Cechinel mostra que há uma história omitida da minificção brasileira. Para ela, U...
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Leituras da pandemia Divórcio - Ricardo Lísias Finalmente li o livro Divórcio , de Ricardo Lísias . Já tinha ouvido falar muito deste romance, mas confesso que tenho certa resistência em ler aquilo que todos comentam. Aí, surgiu uma promoção e acabei comprando. Não só pela oferta, claro, já gostava do autor. Li seu primeiro livro em 2015, quando preparava um curso de jornalismo cultural. Comecei pelas narrativas curtas de Concentração e outros contos . Foi aí que tomei contato com aquilo que a crítica literária vinha chamando de autoficção. O conceito é impreciso e um tanto dúbio. Dizer que se trata do uso de experiências pessoais no texto de ficção é tão amplo que colocaria boa parte da produção literária nesse balaio. Para o que nos interessa aqui, vou dizer que autoficção é a mistura intencionalmente confusa entre a história do autor e a narrativa construída por ele. No Brasil, vários jovens escritores têm seguido essa linha: Michel Laub, Tatiana Salem Levy, Julián Fuk...
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Leituras da pandemia A Resistência - Julián Fuks Parece um tolo jogo de palavras, mas resisti muito a ler A Resistência , de Julián Fuks . Edilene já tinha comentado algo a respeito do tema: a história do irmão adotivo do autor. Creio que uma reticência dela em relação ao tratamento dado pelo autor criou essa minha ‘demora’ em ler o romance. De qualquer forma, ele veio junto na bagagem e, finalmente, o enfrentei. Julián Fuks foi considerado um dos 20 melhores jovens escritores brasileiros pela revista l iterária britânica Granta. Sei que temos que ter cuidado com todo tipo de lista, principalmente aquelas que elencam “os melhores”. Fuks também já foi indicado aos principais prêmios literários no Brasil. Prêmios também são questionáveis. Mas, de fato, Julián Fuks é um baita escritor. Lá pelos anos 1980, um colega entrou aborrecido na sala do jornal-laboratório da ECA/USP e disparou: “aqui todo mundo é frustrado!”. Diante do espanto geral, completou: “o que a gente queria m...
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Leituras da Pandemia Minha Primeira Vez - Luiz Ruffato Neste texto, vou comentar o livro de crônicas Minha primeira vez , de Luiz Ruffato . O volume faz parte da linda coleção Arte da Crônica , da Arquipélago Editorial, de Porto Alegre. Coleção da qual comentarei outros títulos mais adiante. Bem, mas antes de falarmos do livro em si, preciso explicar minha relação com este gênero tão brasileiro. É uma das minhas idiossincrasias. Não costumo ler crônica em jornal ou na internet. Nem mesmo de autora de que gosto. Quase nunca. Digo quase porque às vezes alguma amiga querida me enfia uma crônica Whats ou Face abaixo. Mais do que não ler, eu a evito, fujo dela, como se foge daquele conhecido com quem cruzamos constrangidos na rua. Aquela pessoa que conhecemos, mas não temos a intimidade confortável para entabular uma conversa, nem o distanciamento necessário para apenas acenar com a cabeça. Ao não sabermos a reação adequada, cruzamos a rua, fingimos ver uma mensage...
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Leituras da Pandemia O filho de Machado de Assis - Luiz Vilela Ao embarcar para a Espanha, um dos livros que selecionei para nos acompanhar foi um pequeno volume do grande contista Luiz Vilela . No caso, tratava-se da novela O filho de Machado de Assis . Para quem não sabe, a novela é um gênero a meio caminho entre o conto e o romance. É como se fosse um conto distendido, longo, menos sintético. Mas não chega a ter a estrutura elaborada de um romance. Tomei contato com Luiz Vilela no início dos anos 1990, quando uma colega da ECA, hoje professora da UnB, me falou encantada de dois escritores mineiros, Ivan Ângelo e Luiz Vilela. Insistiu em que eu tinha que conhecê-los. A paixão dela era tanta que não tive dúvida. Na primeira oportunidade fui atrás da obra dos dois. De Luiz Vilela, li tudo o que encontrei pela frente, o que significava à época todos os seus livros. E vi que ela tinha razão. Eram contos incisivos, tocantes e surpreendentes. Não à toa, o autor, com só 24 anos,...
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Pra que serve a poesia? A pergunta pode parecer sem sentido, é verdade, mas a poesia acompanha o ser humano há milênios. Na cultura ocidental, pelo menos, desde os gregos antigos. Certamente, a poesia também está presente em outras matrizes culturais desde tempos imemoriais. A poesia está na vida e não depende do poeta. Prescinde, inclusive, da linguagem. O nascimento de uma criança é poesia, a mudança das estações, um olhar apaixonado, o abraço solidário, tudo isso é poesia. M anoel Bandeira dizia que " a poesia está em tudo - tanto nos amores como nos chinelos, tanto nas coisas lógicas como nas disparatadas ". A poeta entra em cena quando busca concretizar em palavras a poesia que está na vida, na realidade material ou simbólica. O artista da palavra, por sua sensibilidade e consciência aguda, é provocado por um acontecimento, uma situação, um sentimento ou uma simples ideia, internaliza esse estímulo, reelabora e o devolve em palavras. Aí, surge o poema. O poema...
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A literatura como bálsamo   Vivemos tempos tão difíceis, que nos perguntamos se a literatura é realmente necessária. Se não seria uma espécie de escapismo, de fuga da realidade. Ora, mas será que não é legítimo se ausentar um pouco de realidade tão opressora? Ainda mais neste momento histórico em que somos governados por um genocida perverso. A literatura, assim como outras artes, não pode perder o compromisso com seu tempo, com as dores de seu povo. A literatura pode – e deve – ser lança, porrete, megafone, punhos erguidos. Mas pode também ser unguento, carinho, afago, braços abertos. Mesmo que os tempos sejam sombrios, que aquilo a que chamamos de realidade seja sufocante, isto não significa que não possamos sorrir. É verdade que rir ou gargalhar no momento atual pode parecer escárnio ou, na melhor das hipóteses, indiferença com a tragédia do outro. Mas sorrir, aquele sorriso cúmplice, reforça a ideia de “que ninguém solta a mão de ninguém”, lembram-se? Um conto engra...
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O que faz um bom conto? Os contos são um gênero narrativo quase tão antigo quanto o ser humano. Eles remontam as conversas ao redor do fogo, quando os mais antigos transmitiam, por meio de histórias, os valores e tradições de seu povo. No início, eram apenas narrativas orais. Muitos séculos depois, alguns escritores começaram a coletar essas histórias e colocá-las no papel. Estamos falando da cultura europeia, mas todos os povos tiveram em mais alta conta seus contadores de his tória. Na África, por exemplo, os griots e as griottes são guardiães da palavra. São responsáveis por transmitir não só as histórias, mas também as tradições e conhecimentos de seus povos de geração em geração. Contos de fadas Na França, quem primeiro recolheu narrativas populares foi Charles Perrault, no século 17. Mais de cem anos depois, dois irmãos passaram a registrar as histórias do meio rural da Alemanha – que ainda não era Alemanha. Eram os irmãos Grimm. Estes são os que conhecemos ho...