Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Dedinho de Prosa
Imagem
O que é um miniconto? Bom, pra começar, é óbvio que se trata de um conto pequeno. Portanto, a concisão é fundamental. O miniconto apresenta, por exemplo, uma escassa descrição de tempos, espaços e personagens. Deve, contudo, manter a narratividade, isto é, contar uma história. O miniconto busca a condensação máxima para chegar ao essencial. A chamada minificção também se caracteriza pela fragmentação, pela experimentação linguística, pelo hibridismo de gê nero (crônica, poesia, aforismo?) e pela aproximação à poesia, como vemos no miniconto de Leonardo Sakamoto , aqui neste blog. O mais interessante do miniconto é que ele não mostra tudo, apenas sugere, como o texto de Marcelino Freire postado aqui também. No bom miniconto, há um subtexto. O leitor deve preencher as lacunas. No Brasil, o curitibano Dalton Trevisan é tido como o pioneiro do gênero. Entretanto, a pesquisadora Francilene Cechinel mostra que há uma história omitida da minificção brasileira. Para ela, U...
Imagem
Pra que serve a poesia? A pergunta pode parecer sem sentido, é verdade, mas a poesia acompanha o ser humano há milênios. Na cultura ocidental, pelo menos, desde os gregos antigos. Certamente, a poesia também está presente em outras matrizes culturais desde tempos imemoriais. A poesia está na vida e não depende do poeta. Prescinde, inclusive, da linguagem. O nascimento de uma criança é poesia, a mudança das estações, um olhar apaixonado, o abraço solidário, tudo isso é poesia. M anoel Bandeira dizia que " a poesia está em tudo - tanto nos amores como nos chinelos, tanto nas coisas lógicas como nas disparatadas ". A poeta entra em cena quando busca concretizar em palavras a poesia que está na vida, na realidade material ou simbólica. O artista da palavra, por sua sensibilidade e consciência aguda, é provocado por um acontecimento, uma situação, um sentimento ou uma simples ideia, internaliza esse estímulo, reelabora e o devolve em palavras. Aí, surge o poema. O poema...
Imagem
A literatura como bálsamo   Vivemos tempos tão difíceis, que nos perguntamos se a literatura é realmente necessária. Se não seria uma espécie de escapismo, de fuga da realidade. Ora, mas será que não é legítimo se ausentar um pouco de realidade tão opressora? Ainda mais neste momento histórico em que somos governados por um genocida perverso. A literatura, assim como outras artes, não pode perder o compromisso com seu tempo, com as dores de seu povo. A literatura pode – e deve – ser lança, porrete, megafone, punhos erguidos. Mas pode também ser unguento, carinho, afago, braços abertos. Mesmo que os tempos sejam sombrios, que aquilo a que chamamos de realidade seja sufocante, isto não significa que não possamos sorrir. É verdade que rir ou gargalhar no momento atual pode parecer escárnio ou, na melhor das hipóteses, indiferença com a tragédia do outro. Mas sorrir, aquele sorriso cúmplice, reforça a ideia de “que ninguém solta a mão de ninguém”, lembram-se? Um conto engra...
Imagem
O que faz um bom conto? Os contos são um gênero narrativo quase tão antigo quanto o ser humano. Eles remontam as conversas ao redor do fogo, quando os mais antigos transmitiam, por meio de histórias, os valores e tradições de seu povo. No início, eram apenas narrativas orais. Muitos séculos depois, alguns escritores começaram a coletar essas histórias e colocá-las no papel. Estamos falando da cultura europeia, mas todos os povos tiveram em mais alta conta seus contadores de his tória. Na África, por exemplo, os griots e as griottes são guardiães da palavra. São responsáveis por transmitir não só as histórias, mas também as tradições e conhecimentos de seus povos de geração em geração. Contos de fadas Na França, quem primeiro recolheu narrativas populares foi Charles Perrault, no século 17. Mais de cem anos depois, dois irmãos passaram a registrar as histórias do meio rural da Alemanha – que ainda não era Alemanha. Eram os irmãos Grimm. Estes são os que conhecemos ho...