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Mostrando postagens com o rótulo Poesia
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Um lindo poema de Regina Azevedo Porque poesia tem que estar na rua...
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Rota de Colisão Marina Colasanti   De quem é esta pele que cobre a minha mão como uma luva? Que vento é este que sopra sem soprar encrespando a sensível superfície? Por fora a alheia casca dentro a polpa e a distância entre as duas que me atropela. Pensei entrar na velhice por inteiro como um barco ou um cavalo. Mas me surpreendo jovem velha e madura ao mesmo tempo. E ainda aprendo a viver enquanto avanço na rota em cujo fim a vida colide com a morte. Marina Colasanti - Rota de Colisão - Rocco, 1993.  
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A Casa Cacaso (Antônio Carlos de Brito) Na minha infância quando chovia batia sobre o telhado uma pancada macia a noite vinha de fora e dentro de casa caía meu olho esquerdo dormia enquanto o outro velava havia portas rangendo lá fora o vento miava no fundo da noite a casa parece que navegava meu coração passeava por uma sala sombria por este lado se entrava por este outro se olhava e por nenhum se saía Na minha infância quando chovia batia sobre o meu peito uma suave agonia a noite vinha de longe e dentro da gente caía meu pai que sempre saía numa viagem calada havia vozes chamando na boca da madrugada no fundo da noite a casa parece que despertava assombração que passava no sopro da ventania por este lado se entrava por este outro se olhava e por nenhum se saía Cacaso - Mar de mineiro - 1982  
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Poesia na rua Giovanna Lima Graças à jornalista Jéssica Balbino , conheci a incrível poeta de rua (seria este o termo?) Giovanna Lima. Isso aconteceu no inesquecível "Poesia na Laje", comandado pela jornalista no maravilhoso Sesc Pompeia. Pois a jovem curitibana imprime sua obra pelas ruas da capital paranaense, provando que o estado sulino não vive só de juiz retrógrado e oportunista. Bom, ela já foi processada pela prefeitura local, acusada de 'vandalismo'! Respondeu com mais poesia. Vejam como Giovanna forja sua poesia a diferentes plataformas, de maneira inteligente.
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Um poema concreto Apenas Maria Rafael Craice
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Um lindo poema de Olga Savary , falecida no último dia 15 de maio, vítima do coronavírus. Além de mim Olga Savary [1933-2020] Quero apenas Além de mim, quero apenas essa tranquilidade de campos de flores e este gesto impreciso recompondo a infância. Além de mim – e entre mim e meu deserto – quero apenas silêncio, cúmplice absoluto de meu verso, tecendo a teia do vestígio com cuidado de aranha.
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O poema foi escrito em 1956, mas infelizmente continua atual até hoje. Nossa homenagem ao decano da literatura negro-brasileira. Protesto Carlos de Assumpção Mesmo que voltem as costas Às minhas palavras de fogo Não pararei de gritar Não pararei Não pararei de gritar Senhores Eu fui enviado ao mundo Para protestar Mentiras ouropéis nada Nada me fará calar Senhores Atrás do muro da noite Sem que ninguém o perceba Muitos dos meus ancestrais Já mortos há muito tempo Reúnem-se em minha casa E nos pomos a conversar Sobre coisas amargas Sobre grilhões e correntes Que no passado eram visíveis Sobre grilhões e correntes Que no presente são invisíveis Invisíveis mas existentes Nos braços no pensamento Nos passos nos sonhos na vida De cada um dos que vivem Juntos comigo enjeitados da Pátria Senhores O sangue dos meus avós Que corre nas minhas veias São gritos de rebeldia Um dia talvez alguém perguntará Comovido ante meu sofrimento Quem é que está g...
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Guardar Antonio Cícero   Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. Em cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista. Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado. Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela. Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro Do que um pássaro sem vôos. Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por isso se declara e declama um poema: Para guardá-lo: Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda: Guarde o que quer que guarda um poema: Por isso o lance do poema: Por guardar-se o que se quer guardar. Antonio Cícero - Guardar - poemas escolhidos - Record, 1996.
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Uma poeta do Rio Grande do Norte Regina Azevedo sem título Quando você olhar pra essas pernas saiba que são pernas de ciranda pernas que marcham e que dançam pernas que enfrentam homens armados pernas que se entrelaçam em outras pernas pernas pernas pernas pernas de luta e de festa pernas de explorar o palco pernas parecidas com as suas pernas estendidas na rua pernas que derrubam as suas quando olhar pra essas pernas saiba que são minhas e não suas Regina Azevedo – Livro Pirueta – 2017.
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Rápido e Rasteiro Chacal Vai ter uma festa que eu vou dançar até o sapato pedir pra parar. aí eu paro tiro o sapato e danço o resto da vida. Os cem melhores poemas do século - org. Ítalo Moriconi - Objetiva, 2001.
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Sangra Raquel Almeida   O que me resta Se não sangrar minhas dores Se não desaguar minhas mágoas Se não gritar minhas fúrias O que restaria Das nossas poesias Que amam e sofrem Sofrem e amam Que rebelam no estrondar De chicotes, tiroteios, Coturnadas na minha cara Dói, como dói! Ainda assim, Construo pontes Pra que não doa mais. Raquel Almeida - Sagrado Sopro - do solo que renasço - Elo da Corrente Edições, 2014.  Sangra ¿ Qué me queda? Si no sangro mis dolores Si no desaguo mis penas Si no grito mis furias ¿Qué quedaría De nuestras poesías? Que aman y sufren Sufren y aman Que se rebelan en el estallido De látigos, tiroteos, Patadas en mi cara Duele, !Ah, cómo duele! Aún así, Erijo puentes Para que no duela más. Tradução Alex Criado
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O peregrino Sérgio Vaz No caminho do crer e não crer Vivo na dúvida do milagre Entre as brumas da uva e do vinho Sou eu quem destila o vinagre. Caminho no chão em busca do céu Num fogo e àgua que não tem fim Porque Não me esforço para acreditar em Deus Esforço-me para que Deus acredite em mim. Do livro Colecionador de pedras, Global Editora. Enviado por Regina Vilela. Foto: Regina Vilela
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Drumundana Alice Ruiz e agora maria? o amor acabou a filha casou o filho mudou teu homem foi pra vida que tudo cria a fantasia que você sonhou apagou à luz do dia e agora maria? vai com as outras vai viver com a hipocondria. Alice Ruiz - Dois em um - Iluminuras, 2008.
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Uma didática da invenção Manoel de Barros VII No descomeço era o verbo. Só depois é que veio o delírio do verbo. O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos. A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som. Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira. Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos – O verbo tem que pegar delírio. Manoel de Barros - O livro das Ignorâças - Alfaguara, 2016.
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Zero a Zero Dinha " Mas nas barrigas das meninas inda o sol ainda brilha - rancoroso carnaval. ” Nossas mães criam seus filhos para serem meninos e fortes. Entretanto o consumo entretanto o Estado cão magro - roem seus ossos tão fundo que até o descanso, o último tem que ser autorizado. O Estado roeu Rivaldo Jefferson Ricardo e guardou outros tantos ainda. Depois voltou pra guardar a casa de orelhas [surpreendidas: Nesse intervalo, Amanda gerou Ricardo. Angelina devolveu Rivaldo, salvou Jefferson no Fagner e dobrou, por precaução, a quantidade de Lucas. De olho, o cachorro gordo percebe nas barrigas da família pequenas revoluções repondo a morte com vida. Repondo Ricardo a Ricardo Rivaldo a Rivaldo dobrando os soldados perpetuando a ira e a lira. Dinha - Zero a Zero - 15 poemas contra o genocídio da população negra - Me Parió Revolução, 2015. Cero-Cero “ Pero en los vientres de las chic...
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Aninha e suas pedras Cora Coralina Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas. Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. Faz de tua vida mesquinha um poema. E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir. Esta fonte é para uso de todos os sedentos. Toma a tua parte. Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede. Não te deixes destruir… Fonte: Foto e poesia da Revista Escola Educação - Brasil arquivos Notas da autora do post: Sou goiana/tocantinense e desde a infância passávamos férias em Goiás Velho como era conhecida a Cidade histórica onde Cora nasceu e viveu até sua morte. Era muito comum a poetisa receber em sua casa durante todo o dia estudantes para entrevistá-la para trabalhos escolares, o que ela fazia com maestria, muito carinho e atenção: água fresca do pote, café ou chá de cidreira, biscoitos de nata e doces, ah os doces! Lindos alfeni...
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Da calma e do silêncio Conceição Evaristo Quando eu morder a palavra, por favor, não me apressem, quero mascar, rasgar entre os dentes, a pele, os ossos, o tutano do verbo, para assim versejar o âmago das coisas. Quando meu olhar se perder no nada, por favor, não me despertem, quero reter, no adentro da íris, a menor sombra, do ínfimo movimento. Quando meus pés abrandarem na marcha, por favor, não me forcem. Caminhar para quê? Deixem-me quedar, deixem-me quieta, na aparente inércia. Nem todo viandante anda estradas, há mundos submersos, que só o silêncio da poesia penetra. Conceição Evaristo - Poemas da recordação e outros movimentos - Ed. Malê, 2017.
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Viagem Sergio Vaz Quatro jovens morreram na chacina do fim da rua. Conforme a notícia, dois deles tinham passagem. Os outros dois foram assim mesmo... clandestinamente. Sérgio Vaz - Colecionador de pedras - Global, 2011.
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Emergência Mário Quintana Quem faz um poema abre uma janela. Respira, tu que estás numa cela abafada. esse ar que entra por ela. Por isso é que os poemas têm ritmo Para que possas profundamente respirar. Quem faz um poema salva um afogado. Mario Quintana - 80 anos de poesia - Editora Globo, 1994.