Para descontrair um pouco, em tempos tão difíceis... esta deliciosa crônica de Antonio Prata. É pavê... Antonio Prata Tem gente que se irrita, que suspira e vira os olhos como um filósofo vendo Chapolin ou um cientista lendo o horóscopo, mas eu não. Eu sorrio feliz e contente toda vez que escuto alguém perguntar, diante de um pavê, com a segurança do primeiro ser humano tocado pela luz da inspiração: "É pavê ou pacomê?!". Que coragem. Vivemos sob a égide do grande Deus Photoshop. Começamos tirando as celulites das bundas, passamos a cortar as estrias dos discursos e hoje removemos manchinha por manchinha de nossas facebúquicas personalidades. Nesta era da performance, em que cada ideia é cuidadosamente escanhoada antes de ser posta no mundo, em que cada julgamento é miligramicamente pesado para se avaliar os seus efeitos – seus likes, deslikes e retuítes –, enfim, nestes tempos bicudos em que a canalhice é perdoada, mas a ingenuidade não, o cidadão me sai c...