nas mãos inspiradas nascem antigas palavras com novo matiz Helena Kolody
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Litterae - um podcast sobre literatura Para quem curte discussões literárias - e também para quem pretende escrever - os podcasts do Litterae são muito interessantes. O programa de rádio é apresentado pelos escritores Anita Deak e Paulo Salvetti . O programa é bem produzido e sempre traz convidados atraentes. As discussões são abrangentes e densas. O problema é a duração, uma hora. Convenhamos que no mundo atual, de tanta agilidade, é difícil ficar sentado ouvindo um áudio durante uma longa hora. Por outro lado, os t emas e a boa condução da dupla de apresentadores fazem valer a pena. Eu, por exemplo, vou ouvindo aos poucos cada podcast. https://www.stitcher.com/podcast/litterae-o-seu-podcast-de-literatura Veja abaixo os temas tratados até hoje: 1- Referências literárias 2- Inspiração x transpiração 3- Livros fáceis x livros difíceis 4- Literatura em quarentena: caos, angústia e o futuro dos textos 5- Construção do personagem 6- Palavra: modos de usar...
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Terapia de casal Gregório Duvivier Consultório de um terapeuta. Ele e ela estão sentados no divã. TERAPEUTA. Acho que o primeiro passo é a gente tentar entender o que causou esta briga. Vocês lembram como começou o estranhamento? ELA. Acho que tudo começou quando ele falou que queria o divórcio TERAPEUTA. Você falou que queria o divórcio? ELE. Falei. Mas antes ela me deu um soco na cara. TERAPEUTA. Você deu um soco na cara dele? ELA. Dei. Mas antes ele falou que eu estava acima do peso. TERAPEUTA. Você falou... ELE. Falei. Mas antes ela me chamou de brocha. ELA. Mas antes ele tinha brochado. ELE. Mas antes a gente estava prestes a transar e ela disse que eu era um desempregado medíocre que tinha bafo de cigarro e gengivite. O terapeuta tenta intervir, mas eles encavalam as respostas. ELA. Mas antes a gente estava prestes a transar e ele me pediu pra xingar ele. ELE. Mas antes a gente não transava há três meses e eu achei que um palavrão podia dar ...
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Leituras da pandemia Divórcio - Ricardo Lísias Finalmente li o livro Divórcio , de Ricardo Lísias . Já tinha ouvido falar muito deste romance, mas confesso que tenho certa resistência em ler aquilo que todos comentam. Aí, surgiu uma promoção e acabei comprando. Não só pela oferta, claro, já gostava do autor. Li seu primeiro livro em 2015, quando preparava um curso de jornalismo cultural. Comecei pelas narrativas curtas de Concentração e outros contos . Foi aí que tomei contato com aquilo que a crítica literária vinha chamando de autoficção. O conceito é impreciso e um tanto dúbio. Dizer que se trata do uso de experiências pessoais no texto de ficção é tão amplo que colocaria boa parte da produção literária nesse balaio. Para o que nos interessa aqui, vou dizer que autoficção é a mistura intencionalmente confusa entre a história do autor e a narrativa construída por ele. No Brasil, vários jovens escritores têm seguido essa linha: Michel Laub, Tatiana Salem Levy, Julián Fuk...
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Leituras da pandemia A Resistência - Julián Fuks Parece um tolo jogo de palavras, mas resisti muito a ler A Resistência , de Julián Fuks . Edilene já tinha comentado algo a respeito do tema: a história do irmão adotivo do autor. Creio que uma reticência dela em relação ao tratamento dado pelo autor criou essa minha ‘demora’ em ler o romance. De qualquer forma, ele veio junto na bagagem e, finalmente, o enfrentei. Julián Fuks foi considerado um dos 20 melhores jovens escritores brasileiros pela revista l iterária britânica Granta. Sei que temos que ter cuidado com todo tipo de lista, principalmente aquelas que elencam “os melhores”. Fuks também já foi indicado aos principais prêmios literários no Brasil. Prêmios também são questionáveis. Mas, de fato, Julián Fuks é um baita escritor. Lá pelos anos 1980, um colega entrou aborrecido na sala do jornal-laboratório da ECA/USP e disparou: “aqui todo mundo é frustrado!”. Diante do espanto geral, completou: “o que a gente queria m...